Wil Prado

Wil Prado, terceiro filho de uma prole de seis, natural de Teresina/Piauí (03.07.52), vivi os primeiros anos numa casa simples, mas ampla, com terraço e quintal, onde cumpri o currículo da infância, com brincadeiras de rua e banhos no rio Parnaíba, futuro cenário  das minhas histórias. No cais do Mercado Velho, saboreei manga-rosa, sapoti e outras frutas regionais que até hoje guardam o gosto da infância. Em dias de feira descobriria as rodas de violeiros e o encanto do repente, que tanto mexeriam com minha  imaginação.

Aos dez anos a família se mudaria para o Rio de Janeiro — o choque cultural, menino abismado pelas ruas de Copacabana! Meus pais, funcionários públicos (IPASE), um ano depois seriam transferidos para Brasília. Aqui estudei em colégios públicos — Escola-classe 206, Caseb e Elefante Branco. Aluno medíocre, avesso a regras e métodos, o ensino convencional nunca me empolgou.

Aos vinte e um anos, o primeiro emprego, Depart. de Artes do Jornal Diário de Brasília. Depois viraria repórter. 

Em 1976 cheguei à UnB, para cursar Letras. Desencantado, andei flertando com Jornalismo. Mas só a biblioteca, com seu mundo de emoções, seduzia-me. Lá devoraria os clássicos nacionais, de Graciliano Ramos a José Lins do Rego, de Érico Veríssimo a Jorge Amado. Literatura engajada que influenciaria definitivamente minha opção pelos excluídos.

No Correio do Planalto, como repórter de polícia, viveria uma experiência traumática: a periferia violenta e carente, material que usaria em futuras narrativas curtas. Na editoria iria conviver com o poeta Salomão Sousa, com quem, além da pauta jornalística, dividiria os sonhos literários.

1977, UnB paralisada por uma greve geral, invasão do campus e prisões de estudantes. Truculência que marcaria minha aversão aos regimes de força, mais tarde denunciados nos meus romances. Abandonei o curso, o jornal faliu (fato recorrente aos matutinos da época), virei freelancer de revistas, dentre elas a extinta Visão.

Em 1979 entrei para o IBGE. Mas continuaria publicando contos e resenhas literárias   em jonrais. Apesar das atribulações, fascinado pela palavra, nunca me afastei dos  grandes mestres — Cervantes, Flaubert, Zola, Dostoievski, Eça de Queiroz, Céline, Stainbeck, Hemingway — eterno combustível para a Matéria dos Sonhos.

Com a morte de meu pai, vi-me a braços com a fazenda. A princípio arredio, aos poucos  tomando gosto, quando dei fé estava comprometido com os mistérios da terra, ainda que pouco conseguisse arrancar das suas entranhas. Duas décadas depois, com a “partida” da minha mãe e a consequente venda da propriedade, voltei a ser apenas um subalterno funcionário público. Restou-me, contudo, esse bucolismo que até hoje dói ao contemplar uma paisagen rural.

No mais, cumpri a minha sina: casei, descasei, tropecei em  amores e desamores até encontrar a “rosa morena e definitiva”. Com Flávia tive dois filhos, Pablo e Natasha, nossa cota para a continuação do sonho de Adão. 

Para fechar a conta, devo ainda dizer que nunca fui precoce: o pouco que tenho veio-me tardiamente, arrancado a fórceps.

Enfim, fazendo um balanço: plantei duas vidas, gerei muitas árvores — só me faltava o livro!

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