Francisco Quelhas

Nos dias de hoje ouve-se dizer com frequência que os tempos estão difíceis, mas o que diria um casal há trinta ou quarenta anos atrás, em que os recursos financeiros, humanos e sociais eram escassos, as famílias eram numerosas, (10 a 15 filhos), e os empregos remunerados eram para famílias com alguma cultura e alfabetização, ou para quem tivesse um pouco de conhecimento.

Foi num desses ambientes que eu nasci e dei os primeiros passos para a vida, foi num ambiente genuinamente rural, mais concretamente, na freguesia de Póvoa do Concelho, concelho de Trancoso e distrito da Guarda.

Neste meio iniciei o meu processo formativo, repartido com mais dez irmãos, sendo eu o sétimo filho, de um casal humilde e trabalhador, que me ensinou a lutar por aquilo que mais desejava, e desde muito cedo me incutiu responsabilidade por mim próprio, pelos meus irmãos e pelos meus estudos.

Na minha aldeia, Póvoa do Concelho, a minha aprendizagem escolar, permitiu o desenvolvimento de capacidades e apetências peculiares e individuais que só um meio, como o rural, proporciona, mas que o amor e a partilha eram evidentes.

As características do meio, associadas às dificuldades da família que era neste momento numerosa, associadas à dureza dos trabalhos agrícolas, que eram o único meio de sobrevivência da família, constituíram um conjunto de fatores que marcaram profundamente a minha personalidade.

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